
A culinária vibracional une conhecimentos dos antigos chineses e da cozinha contemporânea e ensina novas
formas de escolher e cozinhar os alimentos conforme as estações
do ano. O objetivo é transformar cada prato numa usina de
energia, equilíbrio, saúde e sabor. |
BEM-ESTAR
À mesa, a energia das estações
É fácil
saber quando o ato de cozinhar mistura mais do que ingredientes
em uma panela. Conhecer os alimentos e acrescentar intenção
e emoção ao preparo da comida faz com que até
pratos simples sejam inesquecíveis e ainda atuem para
acalmar, prevenir e aliviar males do corpo e da alma. Toda essa
sabedoria está reunida na chamada culinária vibracional.
Uma fusão de princípios da filosofia oriental
com fitoterapia e requintes gastronômicos.
Segundo a milenar filosofia chinesa, que tem mais de 5 mil anos,
cada estação do ano relaciona-se a um órgão,
um sabor e uma emoção, que pode ser “temperada”
quando se ingerem os alimentos certos. “Uma pessoa melancólica,
por exemplo, deve procurar sabores picantes, como o do gengibre,
que é estimulante”, explica a chef Vânia
Amaral, uma das pesquisadoras e principais divulgadoras da culinária
vibracional no Brasil. Mineira de Belo Horizonte, 41 anos, Vânia mal cozinhava
quando mudou para Ouro Preto, em 1985, e começou seus
estudos culinários por um motivo especial. “Meu
marido era praticante zen-budista e seguia a dieta shojim –
vegetariana –, praticada nos mosteiros. Aprendi a cozinhar
com os monges que moravam do lado de casa”, diz. A partir
daí, os sabores foram entrando na vida de Vânia
untados de significado. Aprendeu sobre a “comida remédio”
– em japonês é chamada yaku zen –,
uma combinação de alimentos e ervas. Pesquisou
a cozinha mediterrânea e a francesa e as adaptou a suas
receitas inspiradas no saber oriental. Acrescentou ainda pitadas
do que aprendeu sobre ervas no contato com as vizinhas raizeiras.
“Qualquer pessoa pode praticar a culinária vibracional.
Basta estar atenta às estações, ser intuitivo,
deixar cores, gostos, formas e cheiros serem seu guia”,
afirma.
Mistura fina
A harmonia de cada prato é resultado da soma das técnicas
de cozimento, do jeito de cortar os legumes e as raízes,
do equilíbrio do ambiente e do cozinheiro. Diferentes
temperaturas produzem diversas vibrações nos alimentos.
“Para acalmar uma pessoa impaciente, cozinhe em fogo baixo
por um período mais longo que o normal e sem mexer demais
o alimento. Para pessoas desanimadas, o que é preparado
na panela de pressão traz calor e energia”, ensina
Vânia. A comida preparada assim é uma festa para
os sentidos que começa na escolha dos ingredientes. Em
vez de uma passada rápida no supermercado, a cozinha
vibracional valoriza a seleção de produtos integrais,
frescos, orgânicos, de qualidade e abundantes em cada
estação do ano. Isso é muito importante,
pois, além de mais baratos, têm suas propriedades
e energia vital potencializadas, promovendo o bem-estar físico,
emocional e mental de quem se nutre deles.
Fogão sob controle
Esse jeito de cozinhar obedece o ciclo dos cinco elementos –
fogo, terra, madeira, metal e água –, base da medicina
chinesa. E é fácil percebê-los, prestando
atenção nas estações do ano. Na
primavera, regida pelo elemento madeira, recomendam-se alimentos
naturalmente doces. No verão, é melhor comer mais
ingredientes crus ou salteados em fogo alto. Já o elemento
terra representa a quinta estação, ou o alto verão,
e deve privilegiar alimentos pouco cozidos. O outono, regido
pelo elemento metal, pede alimentos levados ao forno ou caldos
nutritivos. O inverno, que tem a energia do elemento água,
merece pratos que incluam ingredientes de tons escuros, como
feijão ou cogumelos. Para manter a harmonia, o cardápio
e o modo de preparo dos alimentos varia conforme a época.
Nas próximas páginas você descobrirá
ingredientes e receitas que podem ser incorporados à
rotina de sua cozinha.
 |
Primavera |
 |
Verão |
 |
Alto
verão |
 |
Outono |
 |
Inverno |
TEXTO: KÁTIA STRINGUETO
REPORTAGEM FOTOGRÁFICA: ANA PAULA WENZEL
FOTOS: VALENTINO FIALDINI
Maio 2003
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