Em perfumes, a essência de uma vida
Uma cena da infância vira perfume, uma viagem interessante é traduzida em fragrância... Assim a perfumista francesa Camille Goutal fala de suas composições. Com o Brasil na agenda, ela traz para nós o que inventa e, curiosa como é, não descarta a possibilidade de captar a experiência como um novo aroma.
TEXTO: FERNANDO EICHENBERG
ILUSTRAÇÃO: ADRIANA C. WOLFF
Desde criança, a pequena Camille foi levada pela mãe, Annick Goutal, a se aventurar no sedutor universo dos aromas. Com 3 ou 4 anos de idade, sentia o cheiro de folhas de grama, de lavanda ou de cascas de laranja esmagadas entre os dedos. “Era como um jogo”, conta. A brincadeira de mãe e filha, assinala, era puramente instintiva: “Não havia uma preocupação em mostrar o savoir-faire (habilidade, para os franceses) com os odores. Era algo natural. Ela fazia sem se dar conta. Quando tinha uma folha de manjericão na mão, partia e colocava sob meu nariz”.
Mais tarde, Camille passou a sentir os aromas das fragrâncias criadas pela mãe, que encerrou uma bem-sucedida carreira de top model para se dedicar a sua própria grife de perfumes. De uma modesta butique instalada na rua de Bellechasse, em Paris, a marca Annick Goutal aos poucos seduziu um fiel público com suas artesanais e singulares fórmulas até conquistar prestígio internacional e ser incorporada pelo grupo da família Taittinger (proprietário dos cristais Baccarat e da champanhe Taittinger) em 1985. Algumas das criações, sempre inspiradas por recordações e evocações sentimentais, se tornaram marcos da perfumaria, apreciados por diferentes personalidades.
Eau d’Hadrien (feito à base de limão- siciliano, cipreste e grapefruit), que teve como inspiração o livro Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, é uma das preferidas de Madonna, Sharon Stone, Leonardo di Caprio e Steven Spielberg. Ce Soir ou Jamais (rosas da Turquia, hibiscos e outros 140 ingredientes), em que Annick procurou resgatar o aroma das rosas do jardim de uma igreja visitada por acaso na juventude, é um dos perfumes de Meg Ryan. Petite Chérie (pêssego, pêra, grama fresca cortada e baunilha), criada quando Camille completou 18 anos e foi morar sozinha (“Você é agora uma linda mulher, mas nunca deixará de ser minha queridinha, minha petite chérie”, disse ela, na época), é uma das essências usadas por Cameron Diaz, Melanie Griffith, Drew Barrymore e Catherine Zeta-Jones.

Leia a íntegra da matéria!
Exclusivo para assinantes e compradores de banca


Copyright © 2009 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados
Dúvidas sobre senhas e acesso ao site, veja aqui.
Para comunicar erros no site, por favor entre em contato.
Sugestões de pautas ou dúvidas sobre reportagens, por favor envie um email