Sagração do aroma
O incenso acalma, perfuma, unifica. Ao acender uma vareta, bastão ou fragmento de resina, um ritual acontece e ganha força: o fogo se une às ervas e um aroma agradável é exalado pela fumaça, que se torna parte do ar. Nuvem que sobe unindo terra e céu.
TEXTO: ERIKA KOBAYASHI
REPORTAGEM FOTOGRÁFICA: CAMILE COMANDINI
FOTOS: EDUARDO DELFIM
Para várias culturas, o incenso é um elo com o sagrado. “A fumaça aponta para o mistério de Deus, ajuda a transcender”, diz Maria Ângela Vilhena, professora do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Por esse motivo, pode-se dizer que o uso do incenso é tão antigo quanto a humanidade.
Como oferenda, possui duas funções: a de agradar e homenagear os deuses e a de fazer os pedidos chegarem mais rápido até eles. Segundo o livro Incenso – Preparo, Uso e Significado Ritual (ed. Hemus), “povos primitivos estabeleciam contato com o divino através da fumaça oriunda da queima de ervas e madeiras aromáticas que se elevavam até os céus.” Desde então, essa é uma das principais finalidades que o incenso tem.
A civilização egípcia foi a primeira a registrar seu emprego com a intenção de afugentar os maus espíritos e homenagear seus deuses. Mais adiante, na Bíblia, o incenso aparece como um dos presentes levados pelos três reis magos a Jesus. “Assim como o ouro, os perfumes e os incensos eram ofertados por serem caros e preciosos”, afirma Maria Ângela Vilhena.
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