A volta do arado
Um filho pode ajudar a perpetuar o amor que sentimos e o cuidado que temos pelas pequenas e belas coisas da vida. E por essa continuidade de nós mesmos somos capazes até de nos fingir de loucos, como fez Ulisses, com seu arado.
POR RUBEM ALVES

Segundo os poemas sagrados que contam das nossas origens, eu fui feito de coisas bem deste mundo: a terra, a água, o vento. E acredito que sim, pois eu amo essas coisas. Amo a terra, amo o vento, amo a água, e me sinto feliz no meio delas, minhas irmãs, continuação do meu corpo. Não sinto nostalgia dos céus. Assustam-me as sobrehumanas companhias. Quero o barco, a gaivota, o mar, as árvores, o vazio onde navegam as nuvens, planam as aves, flutuam as pipas, e os seus cheiros, cores, barulhos, gostos, memórias...

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