Emoções em ação
Insegurança, ansiedade, medo, raiva são sentimentos que podem ser reduzidos ou amenizados com algum tipo de atividade física. A perspectiva é: o corpo se movimenta, a mente se acalma e os sentimentos fluem com maior harmonia.
TEXTO: RITA MORAES E ANA HOLANDA
REPORTAGEM FOTOGRÁFICA: CAMILE COMANDINI
FOTOS: ROGÉRIO VOLTAN

É possível encontrar seu ponto de equilíbrio emocional numa sala de academia – na aula de luta, de artes marciais ou em qualquer outra modalidade esportiva. Briguentos de carteirinha podem se tornar mais compassivos, tímidos perdem o medo de se expor e sisudos ficam mais maleáveis. As pessoas, afinal, estão descobrindo que a prática regular de uma atividade física às vezes funciona como ferramenta extra para modelar o temperamento ou desatar nós emocionais e, assim, turbinar os relacionamentos ou a carreira profissional. Isso acontece porque, de um lado, estão os hormônios liberados durante o exercício, como a endorfina, que traz a sensação de bem-estar, e de outro estão as lições de autoconhecimento escondidas por trás de cada golpe, cada passo mais largo ou movimento de braço. “Quando nos mexemos, mobilizamos memórias afetivas”, explica a psicóloga e terapeuta bioenergética Solange Bertão, de São Paulo. “A bionergética acredita que toda informação emocional está no corpo e é acessível. Os movimentos podem, por exemplo, tornar conscientes sentimentos mascarados: por trás da tristeza talvez se esconda a dificuldade de lidar com a raiva”, diz ela. Além disso, o exercício amplia a consciência corporal e isso, na prática, se traduz numa postura mais segura diante da vida. O resultado é uma dose de coragem para enfrentar as dificuldades do dia-adia e, até mesmo, amansar os medos.

LIÇÕES DO ORIENTE
Cada um precisa descobrir qual o exercício mais afinado com sua personalidade. Existe, no entanto, uma regra básica: é bom se propor algo em que se sinta à vontade e principalmente que seja coerente com seu ritmo. Segundo a psicóloga Kátia Rúbio, professora do Departamento de Pedagogia do Movimento da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, existem vários fatores que se somam à atividade física e geram benefícios. “O apoio do grupo e a identificação com a modalidade escolhida contam muito”, diz.
Para Florival Scheroki, professor de psicologia do esporte, também de São Paulo, junto com uma atividade física quase sempre vem o convívio com outras pessoas. Isso amplia o campo de compreensão do mundo. “Eu indico algumas práticas para meus pacientes pensando no grupo e nas habilidades que cada um poderá desenvolver naquele ambiente”, conta. O aikido, por exemplo, costuma ser indicado para quem quer equilibrar a agressividade – esteja ela exacerbada ou contida. Nessa arte marcial japonesa, os movimentos são firmes e vigorosos, mas sem o uso da força bruta. Ao receber um golpe, o praticante absorve a força de seu adversário, junta com a sua, e a utiliza para defender- se sem ferir o oponente.
O importante é lutar contra inimigos internos – por exemplo, o medo e a insegurança – e descobrir como conciliar as diferenças. “O que atormenta o homem é a falta de percepção dele próprio e do universo onde vive”, resume o engenheiro civil Wagner Bull, mestre em aikido e fundador do Instituto Takemussu, entidade que representa no Brasil essa prática tradicional.
Outra técnica que tem ótimas lições a ensinar é a esgrima. O esporte exige uma coordenação perfeita de movimentos e, assim, faz com que as pessoas se habituem a criar rápidas e eficientes estratégias de ação. “Com o tempo, os alunos percebem que melhoram o raciocínio, conseguem se expressar com facilidade e ficam mais assertivos, qualidades muito apreciadas, principalmente no mercado de trabalho”, observa Alkhas Lakerbai, da Academia Paulista de Esgrima.
Movimentar-se, afinal, pode render uma experiência gratificante. Os caminhos estão ao alcance do corpo, como mostram Sura Ozi Cukier, Francisco Tupy e Fabiana Daniel, personagens desta reportagem.





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