Kung fu
TEXTO: RITA MORAES

As artes marciais são práticas milenares usadas para treinamento de combate, normalmente sem o uso de armas de fogo. Nasceram e se desenvolveram envoltas pela sabedoria oriental e, por isso, acompanham um sistema filosófico que prepara física e espiritualmente o guerreiro, antigo ou moderno, para lidar com as dificuldades. O Kung Fu já existia na China há cinco mil anos, depois se estendeu a Ásia, Japão, Coréia e, mais recentemente como forma de condicionamento físico e defesa pessoal, ao Ocidente.

A denominação marcial surgiu com a sociedade greco-romana e refere-se a Marte, Deus da Guerra. Dizem os adeptos, no entanto, que não é só isso. “Um bom praticante de artes marciais fatalmente tem que mudar como pessoa, pois seu maior objetivo é a busca da perfeição, tanto nos golpes como na vida”, aponta Gabriel Amorim, fundador do Templo Shaolin de Kung Fu.

Segundo a tradição, o poder do prticante do Kung Fu repousa na habilidade de se defender em situações impares e impossíveis, utilizando a energia Ch’i, que significa a magnitude e a plenitude mental. Amorim explica que o equilíbrio emocional é treinado em cada golpe e colocado à prova nos testes e apresentações públicas. “Nestes momentos, aprende-se a lidar com a ansiedade e a derrota. A pessoa acostuma-se a se expor e a ser avaliada. Isso traz segurança e autoconfiança no dia-a-dia. Na luta, o oponente deve ser observado e respeitado e isso também se leva para a vida”, afirma.

Foi o que sentiu Fabiana Daniel, 29 anos, que há um ano e meio dedica-se ao Kung Fu. Responsável por avaliar sinistros em uma grande seguradora, Fabiana estava sempre a ponto de bala. “Era briguenta, perdia as estribeiras facilmente com colegas de trabalho e até com clientes. Hoje, estou tranquila. Aprendi a ouvir e observar mais, a refletir. Na verdade, aprendi a lidar com a minha impaciência e a olhar o ponto de vista do outro’, diz. Muito menos estressada, Fabiana teve um ganho extra: “Eu tinha fobia de lugares fechados e de aglomeração de pessoas. Passei mal dentro do Metrô várias vezes, cheguei a desmaiar. Não sinto mais esse desespero”, conta.



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