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ESSA TAL DE AUTO-ESTIMA
Como já disse o filósofo francês Michel de Montaigne, no século 16: “A pior desgraça para nós é desdenhar aquilo que somos”. E a ciência do século 21 já está atestando isso. A auto-estima é comparada ao sistema imunológico emocional. Funciona como uma vacina na alma, proporcionando mais energia, motivação, autoconfiança e iniciativa, atributos necessários para enfrentar desafios e frustrações. Gostar de si é importante para a personalidade – é o núcleo criativo do qual parte a inspiração para tocar a vida com alegria e produzir um ser belo. “As pessoas acham que a beleza traz felicidade, mas é exatamente o contrário. É a felicidade que traz beleza. Mulheres satisfeitas em diferentes esferas de sua vida são mais indulgentes na avaliação da aparência. Levam em consideração fatores como simpatia, humor, comunicação, cultura e educação como componentes da beleza”, enfatiza o psicólogo clínico Marco Antonio de Tommaso.

A CULTURA E O CORPO
Autora do recém-lançado O Corpo como Capital (ed. Estação das Letras), a antropóloga Mirian Goldenberg acredita que as brasileiras devem ter um olhar combativo quanto à imposição de magreza e juventude. Em pesquisas pela Europa, Mirian constata que em vários países os 50 anos são o auge da vida. “Aqui é como se chegássemos a uma aposentadoria afetiva, sexual. É quando começamos todos os processos de compensação para não aparentar a idade”, observa, em tom de bom humor. Aliás, para Mirian, o bom humor pode ajudar a mulher a transitar por todas as fases sem sofrer. Ela própria, risonha, é um exemplo, em seus 50 anos: “Se tivesse embarcado na fantasia de parecer dez anos mais jovem, teria uma vida pior. Gosto de me manter bonita, mas aceito minha idade, minhas rugas como história de vida”. Em outro livro, Infiel (ed. Record), que fala sobre as questões amorosas no século 21, Mirian discute a obrigação de parar o tempo e conta como algumas mulheres se sentem desviantes quando optam por não fazer plástica ou aplicar Botox. Outras mudam tanto seu corpo que não se reconhecem. A maior angústia é esta: modificar o que está por fora com a ilusão de que algo interno mude. A dor vem quando isso não acontece.


O QUE DIZ O ESPELHO?
As americanas Lynn Ginsburg e Mary Taylor propuseram um bom exercício para entender o espelho no livro Do Que Você Tem Fome? (ed. Cultrix). Ele é dividido em duas partes. Experimente e se veja com menos severidade.

Primeira parte
• Diante de um espelho grande, olhe objetivamente para sua imagem.
• Ao notar que a mente se dispersou e você já não está olhando com atenção o reflexo, afaste-se.
• No diário, descreva como se viu: curvas cheias, braços rechonchudos, cabelos ressecados etc. Anote também todos os pensamentos, sentimentos e sensações que a contemplação provocou.
• Registre até as conclusões negativas.
• Anote também a parte do corpo que observou primeiro: quadris, rugas...
• Nos dias seguintes, repita a prática.

Segunda parte
• Pense na parte do corpo que costuma primeiro observar no espelho. Considere até que ponto algumas insatisfações viram conclusões sobre o todo de sua personalidade.
• Decida não olhar as partes de seu corpo que costuma fixar primeiro. Escolha uma parte que lhe é indiferente ou de que goste e observe-a no espelho.
• Aos poucos, amplie o olhar a fim de abranger uma parte maior do corpo.

Isso cessa seu autojulgamento?

Conclusão: você perceberá que o que vê muda dia a dia e até de hora em hora. O corpo é o mesmo – mas seu humor, estado físico ou um cumprimento que recebeu podem alterar sua percepção. Quando a lucidez nublar, olhe-se nos olhos e reponha o foco em quem você é.


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