Livre para se gostar
Os sete mais
A lista de alimentos já consagrados pelas ciências da nutrição é grande. Vai de salmão, atum e iogurte a linhaça e quinoa, por exemplo. Aqui, listamos outros sete itens, que são considerados básicos à dieta.
1. AZEITE: tem o dom de proteger o coração e contribuir para a diminuição dos níveis de colesterol.
2. ALHO: poderoso antibiótico natural, colabora para reduzir os níveis de colesterol e de triglicérides, regula a pressão arterial e previne doenças cardiovasculares, câncer e infecções.
3. BRÓCOLIS: rico em fibras vegetais, antioxidantes e ácido fólico, pertence à família das crucíferas (como a couve, o repolho e a couve-flor). Esse grupo é essencial para a prevenção de diversas doenças, incluindo o câncer.
4. CEBOLA: é um diurético natural que diminui os níveis de colesterol e cura as infecções urinárias. Faz baixar os níveis de açúcar no sangue, alivia as constipações e é indispensável na culinária.
5. LIMÃO: antibiótico natural, é eficaz contra os fungos e vírus e muito rico em vitamina C. Age como um diurético e depurador do metabolismo.
6. MAÇÃ: há quem a recomende diariamente, como uma forma de manter a saúde geral do organismo. Pura verdade. Essa fruta, rica em pectinas e fibras vegetais, ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e diminuir o apetite entre as refeições.
7. NOZES: cinco por dia contribuem para prevenir problemas cardiovasculares. Além disso, elas contêm ferro, magnésio, zinco, vitamina E e gorduras insaturadas.

A cada momento
Filósofa e fundadora do Laboratório do Processo Formativo, Regina Favre é uma entusiasmada pesquisadora da forma. Para ela, o corpo é um processo contínuo.
BONS FLUIDOS – Quando a concepção do corpo começou a mudar?
REGINA FAVRE – Acredito que os saberes corporais e as práticas como as concebemos hoje estão enraizados na Europa, em meados do século 19. A mudança da produção artesanal para a produção industrial remodelou as tradições culturais e artísticas, as concepções sobre forma e linguagem, valores, aparência das cidades, casas, seus interiores, exigindo das pessoas um novo uso de seu corpo para produzir e incorporar essas realidades.

BF – Você fala que Darwin promoveu a maior revolução na auto-imagem do homem desde o início da história. Por quê?
RF – Porque, com sua teoria evolutiva, ele removeu o Criador da cena e apresentou os homens à sua animalidade e capacidade adaptativa, permitindo a cada pessoa ver em seu corpo a continuidade do corpo de seus parentes animais.

BF – Como é o corpo no mundo globalizado?
RF – Hoje, o desafio para o corpo é suportar a velocidade das transformações e da informação. O capitalismo se alimenta da constante transmissão de imagens de violência, exclusão social, sofrimento, por um lado, nos noticiários, e, por outro, com vidas felizes, acima das ameaças, na propaganda. Os corpos respondem a tudo isso com pânico, enquanto a publicidade oferece o que garantiria uma sensação de estabilidade, que, porém, a gente já sabe, é fugaz. Logo essa sensação passa e voltamos a buscar mais. Outra coisa é a for ma da vez: as fast forms que vão surgindo como produtos na prateleira.

BF – O que são fast forms?
RF – São formas de existir, prontas, compráveis e rapidamente descartáveis como a fast food. Alguém vai à academia e diz que corpo deseja ter. Essas fast forms têm a característica de alimentar nossa falta de auto-referência e nosso desamparo, nos tornando dependentes de seu consumo em busca de alívio dessa angústia existencial.

BF – Como reverter a situação?
RF – Buscando um contato profundo com o corpo a cada momento. O que estou fazendo aqui e agora, o que estou sentindo, quem e como estou sendo? O corpo não é só uma máquina de viver, mas é ação, comportamento, sentimento, conhecimento. Parar e questionar a respeito disso nos permite escolher modos de ser mais ancorados no autoconhecimento. E isso o corpo traduz.
O resgate da mulher selvagem
Autora do livro Mulheres Que Correm com Lobos (ed. Rocco), a psicóloga norte-americana Clarissa Pinkola Estés acha que a mulher em geral não tem noção do grande poder de seu corpo, que ela compara a um violino Stradivarius.
BONS FLUIDOS – Hoje como está a relação das mulheres com o próprio corpo?
CLARISSA – Melhor do que no século 20. A oportunidade de a mulher de qualquer idade ter uma relação sadia com o seu precioso corpo selvagem é maior. Ainda assim, as imagens sobre como ela deve esculpir o corpo – ou a aparência – para agradar aos outros proliferam em cada esquina. São imagens sem vida, sem brilho. A mulher não é um produto criado para render dinheiro ou prazer para os outros. Não é uma atração de circo. É uma alma que tem um corpo. Cada mulher tem um corpo livre, saudável, vital e selvagem.

BF – O que as mulheres podem fazer para manter o corpo vital e selvagem?
C – É missão das mais velhas ensinar às mais jovens a desenvolver uma relação com o próprio corpo centrada no espírito e não na moda, na mania de uma época. Elas precisam ter consciência desse poder. Muitas vêm ensaiando musiquinhas em um instrumento que tem a potência de um Stradivarius. As mais velhas devem mostrar às jovens quão alto é o custo de se manterem imaturas e inconscientes nessa área, preferindo a musiquinha barata, em vez do grande concerto.

BF – Qual é o poder do corpo?
C – O corpo não é uma peça de madeira a ser esculpida e exibida. Ele é o mais precioso parceiro que alguém pode ter na Terra. É ele que nos diz quando está quente demais, frio demais, quando precisamos nos alimentar, descansar. É ele que nos mostra como amar, melhorar a qualidade de vida com mais emoções. Ele nos carrega, nos ajuda, faz o que um empregado fiel faria a seu mais amado patrão. Ele tenta fazer tudo até mesmo quando está machucado ou com dor. Pense sobre como é ter um amigo, um conselheiro, um namorado como ele. Leal, até quando está ferido. O corpo se esforça sempre a nosso favor. Ele precisa ser bem tratado, como um tesouro. E ele diz respeito unicamente a cada pessoa, a cada mulher. A cultura não tem nada a ver com isso. Ela é que tenta há muito esculpir, afinar, modificar os corpos, cometendo as extravagâncias e deformações. A cultura não se preocupa com a profundidade e o senso do corpo.

BF – Como descobrir esse corpo?
C – Se a mulher vê o próprio corpo como um produto a ser julgado em um concurso, qual é a vantagem? Alguns olhares de aprovação? Pense como os amantes se tratam mutuamente. Esse é o sentido do corpo, do generoso e fantástico corpo. Uma das mulheres mais lindas que eu já conheci é Carla Tansi, minha editora no grupo italiano Frassenelli por muitos anos. O que é a voz que Deus deu a ela? Sim, uma voz magnífica. O seu jeito de vestir, simples e transado? Ok, mas eu quase não me lembro das roupas dela porque, mais forte do que isso, era seu jeito de andar, sentar e viver com seu próprio corpo. Uma mulher feminina, vigorosa, transbordante de energia. O corpo dela era perfeito? Eu nunca a medi com a fita métrica. Talvez fosse um pouco mais curto, largo, longo ou estreito no que se refere à proporção. E daí? Ela era como o mais fresco gelo colhido no topo da montanha e trazido para o verão mais escaldante. Ela estava DENTRO de seu corpo e irradiava essa energia para cada parte de si mesma.

BF – Como se conectar com os instintos e se apropriar desse poder?
C – Em primeiro lugar, é uma escolha pessoal para a mulher se conectar com seu instinto e sua vitalidade, em vez de seguir os padrões. E essa é uma matéria de estudo em nível espiritual, mais ligado à alma. A natureza criativa e selvagem da mulher não é assunto da cultura, da indústria da moda. Ela é da alçada de quem, a despeito de todas as pressões e seduções da chamada indústria da aparência, deseja viver de forma mais espiritual.

BF – A alma está no corpo ou é o corpo que está na alma?
C – Eu diria que a alma é uma poderosíssima rede de radiofusão no centro do corpo e, ainda assim, é mais ampla, maior e mais profunda do que o próprio corpo, pois também pode se difundir para fora dele.


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