As cortinas filtram a luz do Sol, protegem a intimidade e colorem o ambiente. Quando se abrem, no entanto, convidam o que está fora a chegar mais perto.
Elas estão em nosso imaginário de casa bem cuidada e ganham importância fundamental nas cidades apinhadas, pois as janelas em frente às vezes impõem discrição. Então, vamos olhar para as cortinas.
Através delas, a luz do Sol chega filtrada. E ainda protegem a intimidade e criam a atmosfera do lugar. Podem ser austeras, de tecido mais pesado, se o ambiente pedir, mas também leves e fluidas, como estas, que escolhemos para você.
Brancas, aproveitam o efeito translúcido, sugerem sem revelar inteiramente. Cor de laranja, ajudam a espalhar a vitalidade. Azuis, descansam o olhar. E assim, com tecido e imaginação, você consegue aproveitar o poder da luz e das cores – uma parceria imbatível para levantar o astral de uma casa.
Com as janelas abertas, elas – as cortinas – também ativam a imaginação, e não despreze o ondear do tecido quando o vento sopra e deixa entrever o lá-fora. “Ao olharmos pela janela, experimentamos a sensação de expansão. Sem passar pela consciência, é como se ampliássemos nosso interior, tantas vezes comprimido”, diz a psicoterapeuta Denise Caldeira, de São Paulo.
Outro toque relevante: para a alma, é importante fixar a atenção nas janelas e no despretensioso ato de abrir as cortinas. Como metáfora, esse fazer prosaico, de todo dia, traz o sentido de abertura. “Pode confiar. Quando algo lá fora mexe com você é porque sua alma já está preparada para ver. No fundo, não existe fora nem dentro. O que há é a comunicação constante”, diz Denise.
AZUL
O azul-claro descansa o olhar e leva o pensamento longe. O mais certo é dizer para o alto, o céu. Na casa, uma cortina neste tom acalma. “É uma opção para equilibrar ambientes em que convivem pessoas muito agitadas. Com seu estímulo frio, o azul ameniza os temperamentos”, conta Alessia Colombo, arquiteta e especialista em feng shui pela Escola da Bússola. Também é uma boa opção para o quarto, onde a tônica costuma ser o sossego. “Pelas mesmas razões, a cortina azul não é tão indicada quando o morador tem tendência à depressão”, continua Alessia.
Se a cortina tomar a parede inteira, é recomendável mesclar o ambiente com tons quentes para não extenuar o olhar. Com uma dose de laranja, mantém a tranqüilidade, mas evita a estagnação. Outra boa combinação é com o verde-azulado.
Cadeira da Dpot, almofadas do Espaço Til, mesa da Clássica Design, tigela da Benedixt e cortina da Tecelagem Lorena.
Tatiana veste brincos e pulseiras de acrílico da Tonus, bermuda da Nem, blusa da Theó e sapatos do Empório Naka.
BRANCO
Elas suavizam a força dos raios diretos do Sol e trazem leveza para a casa. Só se lembre do seguinte: se a janela está orientada para a face norte, onde bate sol o dia inteiro, você vai precisar de forro para atenuar a luz, especialmente no quarto. “A cortina branca num ambiente também branco cria um clima etéreo. Agradável para alguns, mas asséptico demais para outros”, lembra João Carlos César, pesquisador de cores e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “O excesso de branco também cansa e gera um certo isolamento. Na dúvida, imagine a casa de suas avós. Por mais que algumas sejam caracterizadas pelo exagero, ela vira uma referência de aconchego.” Um pouco de amarelo, por exemplo, alegra e tira a idéia de assepsia.

Cadeira Smart, da Dpot, bandeja, bule e xícara da Benedixt, tapete By Kami, almofada da Espaço Til, cortina da Cinerama e pingente da Tecelagem Lorena.
Ela veste calça e camisa da Le Lis Blanc e sandália da AZ.

Voal branco da Tecelagem Lorena
LARANJA
Um tecido neste tom é uma escolha ótima quando se busca a vitalidade. O ambiente fica mais animado e rompe com a decoração de ar sério. “Se for uma cortina de voal, vale lembrar que, ao passar por ela, a luz vai espalhar o tom laranja por todo o ambiente. Isso altera as cores dos demais objetos da decoração. O que é azul tenderá a ficar acinzentado”, explica João Carlos César. Apenas uma pegadinha óptica, nada grave. Tapetes e quadros azuis, em contraste com o laranja, fazem uma sala harmoniosa. O relevante é a posição da janela. “Se ela estiver voltada para a face sul, receberá uma luz suave. Voltada para o leste, terá o sol da manhã muito forte. Se a janela for a do quarto, o melhor é evitar o laranja se você não gosta de acordar com tanta vibração”, avisa o especialista.

Cortina e futons da Tecelagem Lorena, banqueta da Clássica Design e almofada e vaso da Benedixt.
Bermuda da Lita Mortari e blusa da Mercearia.
COMO INOVAR?
Não é preciso muito para mudar a cortina da noite para o dia. Com um pouco de criatividade, pode-se deixar a peça mais divertida e totalmente personalizada.
AZUL - Acabamento charmoso:
As alças de tecido e os botões facilitam a colocação da cortina no varão. Elas passam pelas argolas e pronto. Na hora de retirar para lavar, é só desabotoar. Essa é uma boa dica para os tecidos encorpados.
BRANCO - Flores de tecido:
A idéia é para você mesma fazer. Só precisa visitar lojas especializadas em flores artificiais e escolher as que mais gosta. Depois é só costurar uma fita de cetim atrás delas e aplicar uma a uma nos passantes. São bem românticas!
LARANJA - Muito simples:
Para que ninguém fique sem cortina! Um fio de aço serve como varão e prendedores de aço seguram o tecido, que, nesse caso, precisa ser bem fininho (até uma linda e longa canga funciona). O bom é que dá pra mudar a toda hora. Enjoou, trocou.
Reportagem Fotográfica: Camile Comandini
Assistente: Sabrina Gimenez
Cabelo e maquiagem: Isabela Turcato.
Modelo: Tatiana Trindade (Elite).