• Há mil e uma maneiras de acessar a espiritualidade
Há mil e uma maneiras de acessar a espiritualidade
Depoimentos
CLAUDIA COSTIN
52 anos, doutora em
administração pública.
“Meu reencontro com a espiritualidade foi, na verdade, um reencontro com a identidade judaica. Meus pais vinham de famílias que abandonaram sua crença de origem devido às perseguições sofridas na Europa. Meus irmãos e eu fomos educados como católicos. Na luta contra a ditadura nos anos 1970, julguei que meu ideário era incompatível com qualquer visão espiritualizada. Com grande sensação de perda, abri mão da relação com a divindade. Há poucos anos, minha mãe, que pouco falava do que sofrera, resolveu escrever sua história. Ao ler seu depoimento, senti que a melhor forma de dar uma resposta aos que quiseram destruí-la era retornar ao judaísmo. Pensava, como militante, que contribuía para a transformação do mundo. Mas o conceito de Tikkun Olam, de Aperfeiçoamento da Criação, presente na tradição judaica, me ajudou a perceber que a mudança se processa não apenas nos grandes sistemas mas também pelos gestos, pelos sorrisos e pela empatia que adotamos a cada dia.”
SILVIA DIAS DE ALCÂNTARA MACHADO
67 anos, professora da PUC de São Paulo.
Minha primeira experiência “espiritual” foi quando fiquei presa, de cabeça para baixo, no loro do arreio de um cavalo disparado. Antes de fraturar o crânio, vi perfeitamente, como num filme de traz para diante, minha curta vida de criança de 6 anos. Isso me intrigou por muito tempo. Estudei em colégio católico e me apaixonei pela Igreja, decidindo ser freira. Comungava todo dia, ia à missa etc. Mas, estranhamente, não me lembro de ter chegado muito perto de meu espírito. Ao entrar na faculdade e me casar, abandonei qualquer idéia espiritual e eduquei meus filhos longe da religião. Quando comecei a dar aulas, várias vezes me pegava como em êxtase pela beleza da matemática. Essas sensações eram tão intensas que algumas vezes os alunos faziam silêncio e parecia que também se encantavam. Eu me perguntava o que era aquilo. Iniciei uma terapia com acupuntura e fui aprender aikidô. Aos poucos, foi-se abrindo um canal que me levou a estudar a cabala, ler os grandes místicos e praticar mantras. Em trabalhos de autoconhecimento como esses, tive experiências que revelaram minha verdadeira natureza humana e espiritual.