Um dos cantos da sala/escritório exibe gravuras que pertenciam ao avô de André. A poltrona vintage, dos anos 50, ganhou revestimento novo. Cartões de papel resumem o espírito da decoração; ao lado, a sequência de pôsteres que André encontrou numa exposição de arte e resolveu enquadrar convive lado a lado com quadros e gravuras. O sofá, que pertencia à avó do arquiteto, ganhou estofado novo. Dominando o ambiente da sala/ escritório, a obra do artista plástico Nelson Leirner. Poltronas de design garimpadas em bazares convivem com a estante de cubos superpostos. O clima interiorano da casa é reforçado pelas janelas amplas, que o casal mantém descascadas. Na cozinha, os azulejos originais da construção foram preservados. Junto à janela do quarto, a bancada abriga objetos, quadros e um altar com as divindades que inspiraram o guru indiano Yogananda.
Mistura Fina
Reunindo móveis e objetos de diferentes estilos, o casal André e Ana Luíza encontrou soluções criativas para decorar a charmosa casa em que mora
Direção de arte • Camilla Sola
Texto • Paula Lima
Fotos • Célia Mari Weiss
Reportagem fotográfica • Claudia A. Pereira
Assistente de produção • Henrique Morais
Life is simple and easy. Traduzindo: a vida é simples e fácil. A frase estampada em um dos cartões dispostos sobre a mesinha com tampo de vidro, bem ao lado do vaso repleto de antúrios, traduz perfeitamente a alma da casa onde vivem os arquitetos André e Ana Luíza, num bairro tranquilo, com jeito interiorano, da capital paulista. Quando decidiram se casar, há dois anos, ambos já tinham moradia própria: ela vivia cercada de móveis antigos e objetos herdados da família; ele, em seu pequeno apartamento, reunia quadros e fotos queridos vestindo as paredes. Como não queriam se desfazer de nenhuma peça na nova morada — um imóvel de 100 m2 erguido na década de 30, com janelas amplas e quintal generoso, com direito a pés de limão, mexerica e goiaba —, a solução foi juntar tudo para ver o que acontecia. O resultado? Uma decoração surpreendentemente harmônica e criativa, com pinceladas de modernidade. “Foi engraçado, pois percebemos que, juntas, as nossas coisas também combinavam”, conta Ana Luíza, que abandonou a arquitetura e hoje trabalha com design gráfico.
Concluída a mudança, a primeira providência do casal foi ajeitar o cômodo principal, que funciona como sala de estar, sala de jantar e escritório. Isso mesmo: o espaço multiúso, livre de paredes, se transforma de acordo com a necessidade ou o momento. “O local servia de ateliê ao antigo morador, por isso é grande e iluminado, sem forro no teto. A gente decidiu mantê-lo igual”, conta André, que quebrou a cabeça para chegar ao leiaute final do ambiente.
Tudo se transforma
Com um clima deliciosamente interiorano, exaltado pelo perfume de café fresquinho, a cozinha de azulejos originais também merece um capítulo à parte. É lá que Ana Luíza e André exibem uma pequena coleção de copos com estilos, cores e tamanhos diferentes. Sim, os dois combinam até nisso: adoram comprar esse objeto, sobretudo em feirinhas de antiguidade, ou garimpá- lo entre os familiares. Chama a atenção ainda o móvel no qual as peças são guardadas — ele ficava no consultório do avô da designer, que era médico e armazenava remédios em suas prateleiras. “Pintamos o armário de azul-clarinho para renová-lo. O tom deu um charme extra”, avalia Ana. Outro detalhe de estilo é o porta-utensílios pendurado sobre a pia, presente de uma amiga do casal. “Além de prático, porque deixa tudo à mão, ele remete à simplicidade da cozinha caipira”, conta André. Para arrematar a decoração, Ana Luíza colocou um delicado enfeite de cristais, que parece uma minicortina, na porta que separa os dois ambientes.
Quarto clean
No entanto, o que realmente atrai o olhar na casa dos arquitetos são os quadros, fotos e pôsteres de diversos temas e autores espalhados pela sala/escritório. Atrás da mesa, uma obra do artista plástico Nelson Leirner, com zíperes instalados aqui e ali, rouba a cena. Acima do sofá, que pertencia à avó de André e foi reformado, há uma sequência de três cartazes vindos de uma exposição e outras telas de procedência variada.
Para fazer um contraponto com o restante da moradia, bem servida em cores, marido e mulher resolveram deixar o quarto mais clean, praticamente todo branco. “Por ser um lugar de descanso, não queríamos nada muito chamativo na decoração”, justifica o arquiteto. Os dois também costumam usar o espaço para meditar diante de uma verdadeira galeria de gurus indianos, imagens que Ana Luíza carrega consigo há bastante tempo e que ficam sempre na bancada ao lado da cama. “Acredito que o altar nos traz proteção”, diz ela. Aliás, divindades da cultura hindu estão distribuídas por toda parte. Para o casal, elas são tão importantes quanto os objetos e móveis que sobrevivem ao tempo, passam de geração em geração. “É gostoso admirar as peças que têm um valor afetivo, que contam a nossa história”, completa a designer.
Ao contrário do restante da casa, o quarto do casal é todo branquinho. Ambiente ideal para meditar e sossegar.