Efeito verde
Seja qual for o tamanho de sua casa, sempre cabe um jardim. ele enfeita, refresca e faz um bem danado à alma da jardineira.
Texto • Helena Sá
Fotos • Kiko Ferrite
Reportagem fotográfica • Henrique Morais
Quando estou no jardim, esqueço os problemas”, diz a arquiteta Thea Standerski. Desde pequena, essa paulistana cultiva verdadeira adoração por plantas. Ela lembra que, ainda menina, trazia flores do sítio do avô para enfeitar a casa. Hoje, aos 55 anos, elegeu as marias-sem-vergonha e as begônias como suas prediletas. De mãe para filha veio o gosto de Rejane Nogueira pelas plantas. Orquídeas, vasos de figo e romã povoam a varanda miúda do apartamento dessa paulistana que trata de seus vasos como se fossem bichos de estimação e até conversa com suas filhinhas: “Quando estão lindas, elogio. Se perdem o viso, dou uma força”.
Poderíamos colecionar outras tantas histórias de gente que encontrou em seus pequenos jardins um jeito de conviver com a natureza e, com a ajuda dela, livrar-se do estresse. “A visão da natureza e um ar mais puro nos induz a uma espécie de meditação que pode proporcionar uma pequena ampliação de consciência e nos trazer mais equilíbrio e direção”,“afirma Fernando Cortese, psicoterapeuta do Instituto Sedes Sapientiae. Nas cidades grandes, dominadas pelo asfalto, o verde está se tornando um bem precioso. De acordo com estudos do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (Ceapla), em Rio Claro, interior de São Paulo, bairros com menor índice de vegetação e maior densidade de construções tendem a concentrar áreas com temperaturas mais elevadas e menor umidade do ar, as chamadas ilhas de calor. O paisagista paulista Gil Fialho percebe essa influência: “O sombreamento criado pelas plantas e o aumento da umidade relativa do ar que resulta do processo de transpiração vegetal refrescam o entorno. Além disso, há o fato de a vegetação absorver parte da radiação solar”, afirma. As metrópoles estão pagando um preço muito caro por reduzirem drasticamente a presença da natureza. Inundações e poluição se devem, em grande parte, a isso. “Um mínimo de área plantada por quarteirão ajudaria na drenagem das águas” esclarece Paulina Chamorro, especializada em comunicação ambiental, de São Paulo.